Doença de Alzheimer: apaga memórias e transforma vidas

A doença de Alzheimer é uma enfermidade neurodegenerativa progressiva e a causa mais comum de demência, caracterizada pela perda de memória recente, desorientação e alterações comportamentais. Afeta principalmente idosos, resultando na morte de neurônios e atrofia cerebral. Não tem cura, mas tratamentos podem retardar a progressão.

Estima-se que, em 2026, o mal de Alzheimer e outras formas de demência afetem mais de 50 a 55 milhões de pessoas no mundo. No Brasil, os dados indicam cerca de 1,2 a 1,8 milhão de pessoas vivendo com demência, sendo o Alzheimer a causa mais comum, concentrando a maior parte desses casos.
Entrevistamos o médico neurologista Fábio Aurélio Moraes para saber mais sobre a doença.

JCQual a diferença entre Alzheimer e demência?
Dr. Fábio – Demência é um sintoma. Alzheimer é uma doença que se manifesta com o sintoma de demencia. Por exemplo, tosse é sintoma, pneumonia é a doença; febre é sintoma, Covid19 é a doença.
JC Quais os primeiros sinais de alerta?
Dr. Fábio – Geralmente, o principal sintoma é a dificuldade com memória e a perda de capacidade de executar tarefas que antes era capaz de realizar. Por exemplo, dificuldade em lidar com dinheiro ou um simples controle remoto da TV.
JC Alzheimer é hereditário?
Dr. Fabio – Existem formas raras, hereditárias, geralmente se manifestando antes dos 55 anos de idade. Outras formas, também com algum componente genético podem elevar o risco em familiares, mas costumam ocorrer após os 65 anos de idade.
JC Como é feito o diagnóstico?
Dr. Fábio – Diagnóstico é clínico, através de história clínica e testes de triagem que avaliam as funções cognitivas(memória, atenção, linguagem, cálculo, orientação temporal e espacial). Atualmente podemos solicitar alguns exames que reforçam o diagnóstico mas, na maioria das vezes não se faz necessário(ex.: liquor, PET amiloide, PET-FDG)
JC – Quais são as fases do Alzheimer?
Dr. Fábio – Didaticamente, dividimos em 3 fases:Inicial: esquecimento de fatos recentes, dificuldade em encontrar palavras, problemas de organização e planejamento.Intermediária: ocorre perda de memória mais evidente (esquecer fatos importantes ou o próprio endereço), alterações de humor, irritabilidade, alucinações e confusão mental.Tardia: perda mais grave de memória (não reconhece familiares), incapacidade de se comunicar, incontinência urinária e fecal, e dificuldade para engolir. Ocorre uma dependência quase total. A pessoa passa a maior parte do tempo sentada ou acamada, dependente para alimentar-se, vestir-se e nos cuidados de higiene pessoal.
JC – Tem cura ou tratamento?
Dr. Fábio – Não existe cura ainda. mas existe tratamento. Medicamentos mais tradicionais, via oral, reduzem a progressão da doença e, lançamentos mais recentes, injetáveis, para alguns casos selecionados, pois dependem de análise genética do paciente e outros pormenores; este último, aparentemente com resultados melhores, mas ainda muito pouco acessíveis em função do custo.
JC – O que fazer para evitar que o paciente se perca?
Dr. Fábio – Cuidados no ambiente onde o paciente vive, fechar portas e portões com chave ou cadeado, uso de identificadores(pulseiras, etiquetas em roupas com identificação e telefone para contato) são exemplos que podem ajudar a reduzir o risco de ficarem perdidos.
JC – Como lidar com a agressividade?
Dr. Fábio – O controle da agressividade e agitação se faz com medidas de controle ambiental: casa bem iluminada, tom de voz calmo, ambiente com pouco barulho, rotina de horários para acordar, banho, refeições, por exemplo. Nos casos resistentes, o uso de medicamentos é recomendável.
JC – Como deve ser o comportamento dos familiares com o enfermo
Dr. Fábio – o comportamento da família em relação ao paciente com Alzheimer deve ser pautado na paciência, empatia, rotina e, acima de tudo, na participação coletiva, evitando que a responsabilidade recaia sobre uma única pessoa. A doença transforma a dinâmica familiar, exigindo adaptação, afeto e compreensão de que comportamentos difíceis são frutos da demência, e não provocações.

Dr. Fábio Aurélio de Moraes
Neurologista – USP
CRM – 97542 – RQE – 29955

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